Os primórdios da Construção de Violinos no norte da Itália: A Família Amati, Gasparo da Saló e Maggini

Os primórdios da Construção de Violinos no norte da Itália: A Família Amati, Gasparo da Saló e Maggini

Segundo FABER (2004), O violino mais antigo que chegou até nós é datado de 1564, obra de Andrea Amati, exposto hoje no Ashmolean Museum em Oxford, Inglaterra. Nele percebemos todos os elementos de forma, geometria e concepção idênticas aos violinos atuais. Por essa época o desenvolvimento do violino se estabilizou. Provavelmente Amati consolidou sua forma, estética e funcionalidade.

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Andrea Amati, 1564, fonte: Ashmolean Museum

Ele definiu os parâmetros e geometrias que seriam copiados por séculos, como por exemplo, a barra harmônica, alma e orifícios em forma de F. É possível que Amati já fosse um experimentador, tendo uma grande bagagem empírica na definição de caixas de ressonância, decorrente da sua experiência com violas da gamba, alaúdes e citaras.

Gozou de grande prestigio, tendo recebido encomendas de Carlos IX. Sua obra é tida como referencia, muito valorizada ainda nos dias atuais.

A medida que os fabricantes de alaúdes, ou luthiers, voltavam sua atenção para o novo instrumento, imitadores iam surgindo em todo o norte da Itália.

Os mais importantes estavam em Brescia, cerca de cinquenta quilômetros ao norte de Cremona. Lá, Gasparo Bortolotti, conhecido como “Gasparo da Saló", por ter nascido nesta cidade, fabricava violinos de sonoridade poderosa, mas de um estilo tão primitivo que chegou em dado momento a ser considerado o inventor do instrumento. A honra foi devolvida ao ser estabelecido, 1540 o ano de seu nascimento; ele era simplesmente jovem demais. Os violinos fabricados por Giovanni Paolo Maggini, aluno de da Saló, mantinham globalmente a forma por ele adotada, com tampos mais planos. Para muitos ouvintes, as violas desses fabricantes, em particular, nunca foram superadas.

Andrea Amati (1505-1577), Gasparo di Bertolotti (Gasparo Da Saló) (1540-1609) e Gaspard Duipoprugcar (1514-c. 1571) são considerados os percussores no desenvolvimento do violino da forma como o conhecemos hoje.

Com Gasparo de Saló e Amati surgem as duas célebres escolas de luteria, a de Brescia e a de Cremona, no norte da Itália.

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Viola/Lira da Braccio, Gasparo da Salò, c.1600, fonte: Ashmolean Museum

Gasparo de Saló e seu pupilo Giovanni Paolo Maggini foram marcantes no desenvolvimento de violas e violoncelos, dentro os quais se encontram em grande estima até os dias atuais.

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Viola Dumas de Maggini, 1600 e seus característicos filetes duplos, fonte: Cremona Luthiers

Andrea Amati morreu em 1577, legando seu negocio a dois filhos, Antonio (nascido em 1540) e Girolamo (nascido em 1561). Antonio parece ter deixado a sociedade em 1588, mas os instrumentos fabricados na oficina até a década de 1620 ainda hoje são etiquetados como obra dos “Irmãos Amati". São mais robustos que os de Andrea, mas não pode haver duvida quanto a sua influencia, que já então não se limitava a própria família.

A dinastia Amati prosseguiu ainda até uma terceira geração com o nascimento de Nicolò Amati, (1596 – 1684), filho de Girolamo.

Nicolò tornou-se prospero em Cremona, juntando se a Girolamo no ateliê e produzindo grande quantidade de instrumentos.

Porém, o final da década de 1620 foi difícil para os habitantes de Cremona. O território caiu sob influencia espanhola, sendo explorada por dura carga de impostos e seus habitantes fadados a ruína. Além disso, a peste assolou o norte da Itália pela mesma época, dizimando a população. Morreram grande parte da família Amati, também Maggini morreu em Brescia e quase que a luteria do norte da Itália foi extinta. Somente sobreviveu Nicolò, sendo a única referencia como construtor de instrumentos.

Por esta época, Nicolò tomou uma decisão que mudaria o curso da luteria pelos próximos séculos, a de agregar aprendizes de fora da família. Neste período, ficaram agregados ao ateliê, nomes como Andrea Guarneri, Francesco Rugeri, Gio Batta Rogeri e possivelmente Leopoldo di “Tedesco” e Jacob Stainer, ambos não italianos. Essas informações constam nas listas do censo de Cremona. Os violinos de todos estes construtores são ainda hoje muito cobiçados e bem avaliados.

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Nicolò Amati - Alard, 1649, fonte: Ashmolean Museum

A valorização dos instrumentos construídos por Nicolò, chegou a 3 vezes mais do que os construídos em Brescia devido a sua superioridade acústica. Segundo consta em carta de um padre chamado Fulgentius Micanzio, endereçada a ninguém mais que Galileu Galilei, recomendando que o sobrinho do mesmo escolhesse os violinos provenientes de Cremona. A partir deste fato, tem se a dimensão do nível de desenvolvimento tecnológico e acústico no qual chegou Nicolò (FABER, 2004).

Nicolò ainda teve descendentes que continuaram o legado da família Amati na quarta geração. Poucos instrumentos de seu filho, também Girolamo, nascido em 1649 chegaram até nós. Talvez porque esse último foi contemporâneo do que viria a ser o considerado hoje, maior de todos os lutieres, grande expoente tecnológico de Cremona, Antonio Stradivari.

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